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Canção - Cecília Meireles

No desequilíbrio dos mares,
as proas giram sozinhas...
Numa das naves que afundaram
é que certamente tu vinhas.

Eu te esperei todos os séculos
sem desespero e sem desgosto,
e morri de infinitas mortes
guardando sempre o mesmo rosto.

Quando as ondas te carregaram
meu olhos, entre águas e areias,
cegaram como os das estátuas,
a tudo quanto existe alheias.

Minhas mãos pararam sobre o ar
e endureceram junto ao vento,
e perderam a cor que tinham
e a lembrança do movimento.

E o sorriso que eu te levava
desprendeu-se e caiu de mim:
e só talvez ele ainda viva
dentro destas águas sem fim.



4 comentários:

  1. Das águas... e da chuva doce...
    O poema é muito terno.
    Beijinho para si!

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  2. Obrigada, poeta!

    Desejo-lhe uma semana de muita poesia!

    Beijo :)

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  3. Cecília é sempre Cecília. Lindo!
    bjus

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  4. Quão doce ficou o mar com tanto mel?Lindo!!
    Na vida por quantas naves espera os corações em aflição e saudades?

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