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Poema à boca fechada - José Saramago

Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais boiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.

2 comentários:

  1. Olá a imagem utilizada, foi utilizada recentimente em um concurso, que à relacionava, com (ensino-aprendizagem), causando uma certa polemica, ja que algumas pessoas a associaram como uma imagem de opressão...Poderiam nos fornecer a origem dela?

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  2. Muitas imagens são retiradas de mensagens de power point (PPS) e comunidades do orkut. Esta foi postada ano passado e, por isso, não sei dizer a sua origem.

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