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Pomar - Henriqueta Lisboa

Menino - madruga
o pomar não foge!
(pitangas maduras
dão água na boca.)

Menino descalço
não olha onde pisa.
Trepa pelas árvores
agarrando pêssegos.
(Pêssegos macios
como paina e flor.
Dentadas de gosto!)

Menino, cuidado,
jabuticabeiras
novinhas em folha
não aguentam peso.

Rebrilham cem olhos
agrupados, negros.
E as frutas estalam
- espuma de vidro -
nos lábios de rosa.
Menino guloso!

Menino guloso,
ontem vi um figo
mesmo que um veludo,
redondo, polpudo,
e disse: este é meu!
Meu figo onde está?

-Passarinho comeu,
passarinho comeu...

2 comentários:

  1. Que lindo poema! Quando o li pela primeira vez, fazia a curso de Letras, em Patos de Minas, no UNIPAM. Isso em 2001. Depois disso, tomei gosto pelas poesias de Henriqueta Lisboa. Quanta nostalgia de uma infância que ficou lá no passado! Tal poema me faz regressar à infância. Ah! Quem me dera se eu fosse eternamente criança só para ter os meus pais de volta!

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