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Boneca de pano - Jorge de Lima

Boneca de pano dos olhos de conta,
Vestido de chita,
Cabelo de fita,
Cheinha de lã

De dia, de noite, os olhos abertos
Olhando os bonecos que sabem falar,
Soldados de chumbo que sabem marchar,
Calungas de mala que sabem pular.
Boneca de pano que cai, não se quebra,
Que custa um tostão.

Boneca de pano das meninas infelizes,
Que são guias de aleijados, que apanham
Pontas de cigarros, que mendigam nas esquinas,
Coitadas!

Boneca de pano de rosto parado
Como essas meninas.
Boneca sujinha, cheinha de lã.
Os olhos de conta caíram.
Ceguinha rolou na sarjeta.
O homem do lixo a levou, coberta de lama,
Nuinha assim como quis Nosso Senhor.

3 comentários:

  1. Que relação há com os afro-descendentes? ?

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  2. Não vejo esta relação, pois o poema estabelece uma relação entre a boneca de pano – simples, resistente, que custa apenas um tostão - e as meninas pobres, abandonadas e infelizes, de rostos parados e de pouco valor para os outros.

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  3. ate que e legal

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