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O Poeta da Roça - Patativa do Assaré

Sou fio das mata, cantô da mão grosa
Trabaio na roça, de inverno e de estio
A minha chupana é tapada de barro
Só fumo cigarro de paia de mio.

Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argum menestrê, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola,
Cantando, pachola, à percura de amô.

Não tenho sabença, pois nunca estudei,
Apenas eu seio o meu nome assiná.
Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre,
E o fio do pobre não pode estudá.

Meu verso rastero, singelo e sem graça,
Não entra na praça, no rico salão,
Meu verso só entra no campo da roça e dos eito
E às vezes, recordando feliz mocidade,
Canto uma sodade que mora em meu peito.

2 comentários:

  1. Olá, minha amiga
    Espero que desta vez meu comentário apareça (rsrsrs).
    Parabéns por voltar tão "impregnada" das raízes, que afinal, é o que nos sustenta.
    Bjs

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  2. Pois é, o outro eu não encontrei. Deve estar voando por aí...kkkkkk
    Amo a minha terra e alguns dias lá me fizeram um bem danado!
    Bjs

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