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Canção de um crepúsculo caricioso - Ribeiro Couto

A tarde expira, serena...
Adormece em minha mão
a pena suave, a pena
com que, na tarde serena,
vou compondo esta canção.

Um casinholo da vila,
na sombra do entardecer,
iluminado cintila.
O movimento da vila
começa agora a morrer.

Vem de longe, dos carreiros,
a mágoa sentimental
da canção dos boiadeiros.
Que doçura nos carreiros,
ocultos no matagal!

Num recôncavo da praia,
soturno soluça o mar.
Soluça... A tarde desmaia...
E o mar no lenço da praia
limpa os olhos, a chorar...

Muito à distância, navios
que o crepúsculo esfumou,
vão partindo, fugidios...
A voz triste dos navios
diz adeus a quem ficou...

E a tarde expira, serena...
Adormece em minha mão
a pena suave, a pena
com que, a tarde serena,
vou compondo esta canção...

Um comentário:

  1. Li este lindo poema ouvindo Villa Lobos logo acima. Casaram-se perfeitamente. Obrigada pelos momentos de encanto.

    Abraço.

    PAZ e LUZ

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