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Bernardo Soares (Fernando Pessoa)



O vento levantou-se...
Primeiro era como a voz de um vácuo...
um soprar no espaço para dentro de um buraco,
uma falta no silêncio do ar.
Depois ergueu-se um soluço, um soluço do fundo do mundo,
o sentir-se que tremiam vidraças e que era realmente vento.
Depois soou mais alto, urro surdo,
um chocar sem ser ante o aumentar noturno,
um ranger de coisas, um cair de bocados, um átomo de fim do mundo.

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