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Em despedida: proibindo o pranto - John Donne

Como esses santos homens que se apagam
Sussurrando aos espíritos "Que vão...",
Enquanto alguns dos amigos amargos
Dizem: "Ainda respira" E outros: "Não"

Nos dissolvamos sem fazer ruído,
Sem tempestades de ais, sem rios de pranto,
Fora profanação nossa ao ouvido
Dos leigos descerrar todo este encanto.

O terremoto traz terror e morte
E o que ele faz expõe a toda a gente,
Mas a trepidação do firmamento,
Embora ainda maior, é inocente.

O amor desses amantes sublunares
(Cuja alma é só sentidos) não resiste
À ausência, que transforma em singulares
Os elementos em que ele consiste.

Mas a nós (por uma afeição tão alta,
Que nem sabemos do que seja feita,
Interassegurado o pensamento)
Mãos, olhos, lábios não nos fazem falta.

As duas almas, que são uma só
Embora eu deva ir, não sofrerão
Um rompimento, mas uma expansão,
Como ouro reduzido a aéreo pó.

Se são duas, o são similarmente
Às duas duras pernas do compasso:
Tua alma é a perna fixa, em aparente
Inércia, mas se move a cada passo.

Da outra, e se no centro quieta jaz,
Quando se distancia aquela, essa
Se inclina atentamente e vai-lhe atrás
E se endireita quando ela regressa.

Assim serás para mim que pareço
Como a outra perna obliquamente andar.
Tua firmeza faz-me circular,
Encontrar meu final em meu começo.

2 comentários:

  1. Esse poema foi a primeira mensagem sobre desapego que recebi na vida, ainda no colégio, na aula de literatura, muitos e muitos anos atrás. Abriu a porta para uma compreensão que só veio por completo décadas depois.

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  2. Maravilhoso esse poema de John Connor. O amor além do corpóreo, uma união maior, que excede o físico.

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