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Consolo na praia - Carlos Drummond de Andrade


Vamos, não chores...
A infância está perdida.
A mocidade esta perdida.
Mas a vida não se perdeu.


O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?

A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.



3 comentários:

  1. O Mar, esse grande consolo...

    boa semana minha amiga
    beijinhos
    oa.s

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  2. Bela imagem, perfeito poema, Drummond me leu.
    Dia D.
    Beijão querida, boa semana.

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  3. E que venha novembro de alegrias tantas de tristezas poucas,e logo dezembro,e a vida continua.LINDO POEMA.Um abraço Nádia, obrigada por sua atenção e carinho lá no blog. do expresso.bjs.boa noite.

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