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Ícaro - Miguel Torga


Minhas asas humanas de poeta!
Derreteu-as o sol da lucidez.
Cego, abria-as ao vento
Da inspiração
E voava.

Mas pouco a pouco,
Como quem desperta,
Dei conta da cegueira.
E fui perdendo altura.

Agora canto apenas
Ao rés-do-chão da vida,
A olhar o descampado
Do céu azul
Aberto à graça doutras emoções.

E o canto é triste assim desiludido.
Falta-lhe a perspectiva e o sentido
Que tinha quando eu tinha as ilusões.

2 comentários:

  1. Que as asas do poeta sem elevem, sempre!

    beijos Nadia
    oa.s

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  2. Tudo tem um ciclo, mas até no rés-do-chão há canto...

    Beijo :)

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