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Ventos da noite - Pablo Neruda



Como uma bambolina a Lua na altura deve arquear-se...
Ventos da noite, tenebrosos ventos!
Que rugem e fendem as ondas do céu,
que pisam os tetos com pés de rocio.
Estirado, dormindo,
enquanto as ébrias ressacas do céu
desmoronam bramindo sobre o pavimento.
Estirado, dormindo, quando as distâncias terminam e voam
trazendo a meus olhos o que estava distante.

Ventos da noite, tenebrosos ventos!
Quão pequenas as minhas asas neste golpe tremendo!
Que grande é o mundo diante de minha garganta abatida!
Entretanto, se eu quiser, posso morrer,
estirar-me na noite para que a ira do vento me arraste.
Morrer, estirar-me adormecido,
voar na violenta maré, cantando, estirado, adormecido!!
Sobre os telhados galopam os cascos do céu.
Uma chaminé soluça...
Ventos da noite, tenebrosos ventos!

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