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Retrato - Artur da Távola

 A dolorosa
 e lenta
 refeição do velho.
 Sopas e papas insepultas
 voracidade morta
 lassa obrigação de alimentar.

 Saliva é cuspe
 o cuspe é baba
 na dócil refeição do velho.

 A lentidão exasperante
 de quem come para não morrer
 e morrerá porém. Só

 A dolorosa
 e benta
 refeição do velho.

 A carne insulta-lhe
 a indecisão do dente,
 dor e cansaço no deglutir.

 Tudo é torpor ou gole
 na fome sem sabor
 da refeição do velho.


6 comentários:

  1. Dolorosa velhice. Retrato fiel, de muitos velhos.
    Poesia com verdades tristes.
    Um beijo!
    P.S.Uma curiosidade minha:- Esse Artur da Távola, é o educador, escritor, político, genro de Anísio Teixeira?

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  2. É ele mesmo, Lúcia.
    Artur da Távola genro de Anísio Teixeira.

    Abraço :)

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  3. Dolorosa realidade, num poema que se sente.
    beijinho Nadia
    cvb

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  4. Triste realidade.

    Beijos, Cecília!

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  5. Ser vencido na vida material,""o estar velho" no deglutir da sopa... porem jamais ser vencido no espírito, "o estar jovem" o qual tão pouco de sopa se alimenta.
    Um grande abraço minha querida amiga Nádia, e um lindo DIA INTERNACIONAL DA MULHER.
    bjs Mil.

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  6. Obrigada, amiga.

    Felicidades para nós em todos os dias!

    Beijos :)

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