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Notícia do Alto Sertão - João Cabral de Melo Neto

Por trás do que lembro,
 ouvi de uma terra desertada,
 vaziada, não vazia,
 mais que seca, calcinada.
 De onde tudo fugia,
 onde só pedra é que ficava,
 pedras e poucos homens
 com raízes de pedra, ou de cabra.
 Lá o céu perdia as nuvens,
 derradeiras de suas aves;
 as árvores, a sombra,
 que nelas já não pousava.
 Tudo o que não fugia,
 gaviões, urubus, plantas bravas,
 a terra devastada
 ainda mais fundo devastava.



Um comentário:

  1. Profundo e triste, mais ainda há beleza.
    Oi Nádia estive uns dias ausente,
    Saudades daqui. bjs.

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