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Até amanhã - Eugénio de Andrade

Sei agora como nasceu a alegria,
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.

É primeiro só um rumor de espuma
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, beijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.

É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.

Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou para que tu as ames comigo:
a juventude, o vento e as areias. 


3 comentários:

  1. Coñecín a Euxenio de Andrade na facultade hai moitos anos e adorei a súa poesía; agora, co paso dos anos e aínda máis verdade. Gosto moito do seu Blogue, saúdos dende a Galiza.

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  2. Obrigada, Valentin.
    Seja sempre bem-vindo!

    Abraços :)

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  3. Eugénio de Andrade é o poeta do meu coração. Ele e Graça Pires abastecem de eternidade a minha alma. Falar dele é não ter palavras.

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