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Coisas do Coração - Afonso Estebanez


Se as pedras não sabem do instinto da flor
que sabem as sombras do instinto de mim
se pedras não guardam memória de amor
nem guardam princípios ou meios do fim?

Quem tem a certeza de algum porventura
se a brisa nem diz quando vem ao jardim,
se cá dentro d’alma há essa doce ternura
de guizos ou mantras ou sons de flautim?

Se eu mesmo não sei o que foi a ventura
dos tempos perdidos do amor em motim,
que entendem os dias de minha aventura
se a aurora só chega em finais de festim?

Se a água das nuvens não sabe da altura
e cai como o arco-íris do céu de carmim,
que sabe o teu pranto da minha candura
que cai das alturas bem dentro de mim?


3 comentários:

  1. "De que nada sou para o que fui criada". Lindo.
    Bjs. Nádia , a arte na imagem é impressionante.

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  2. Beijos, Lourdinha!

    Ótima tarde e agradeço pela visita e comentário.

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