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Peraltagem - Manoel de Barros

O canto distante da sariema encompridava a tarde.
E porque a tarde ficasse mais comprida a gente sumia dentro dela.
E quando o grito da mãe nos alcançava
a gente já estava do outro lado do rio.
O pai nos chamou pelo berrante.

Na volta fomos encostando pelas paredes da casa pé ante pé.
Com receio de um carão do pai.
Logo a tosse do avô acordou o silêncio da casa.
Mas não apanhamos nem.
E nem levamos carão nem.
A mãe só falou que eu iria viver leso fazendo só essas coisas.
O pai completou: ele precisava ver outras coisas
além de ficar ouvindo só o canto dos pássaros.
E a mãe disse mais: esse menino vai passar a vida
enfiando água no espeto!
Foi quase.

Um comentário:

  1. Que belo texto, Nádia! Desses que parece que são escolhidos com a finalidade de iluminar e encantar a noite da gente. Obrigada.
    Bjs

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