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Neide Archanjo

Era o mar e parecia ser o mar.
Era o mar.
Dois mil anos esperei por aquele
Que febre alguma ou olhar
Moedas, escárnios, anseios, desejos,
Amores confessos puderam tocar.
À minha frente ei-lo intacto
Suspenso sobre meus lábios
Aureolado suplicando
O nome do seu nome.

Era quimera e parecia ser o amor.
Era quimera.
Graça flutuante figurava estar sentado.
A cabeça era magra coberta de cachos
Junquilho de onde o sol jorrava.
As asas mantidas fechadas
Tocavam o chã longas emplumadas
O corpo intangível.
Seus olhos castanhoverdecinzadourados
Escarlates me olhavam
Como se fossem desde sempre
A límpida palavra.
Era belo e assim se apresentava.

Era o caule e parecia ser a flor.
Era o caule.
Veste-se de blue e um fio transparente
Costura-se asas e costas.
Os pés traz escondidos calçando botas.
Não voa não cumpre seu nome.
Quer ser apenas azul e belo como é a paixão.

Era a Beleza e parecia ser a Beleza.
Era a Beleza.

Filho pródigo abandonou a casa,
De seus vestígios de musa
De seus lampejos de Anjo
Brotavam todas as lágrimas.
A dor incrustada na curva da porta
Esperou por muito tempo a volta.
Depois no rubi deste coração
Escreveu seu nome.

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