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Melancolia - Henriqueta Lisboa


Água negra
negros bordes
poço negro
com flor.

Água turva
densa escuma
turvo limo
com flor.

Noite espessa
sem lanterna
espesso poço
com flor.

sobra, corpo
de serpente
na oferenda
da flor

Risco de morte
violenta,
árdua morte
de asfixia
veneno letal
fatal
quase que puro
suicídio
com uma
lenta
lenta
flor.

2 comentários:

  1. Lindo este poema e a imagem não poderia ser mais perfeita. Quando criança eu tinha uma boneca de borracha azul, duríssima, que eu usava para bater nos meus amiguinhos. Mas, apesar da violência, ela era sensível e se chama Henriqueta, por causa de uma poema que eu havia ouvido de Henriqueta Lisboa...parece mentira, mas eu gostava de poesia desde pequenininha...rsss..obrigada por me trazer esta lembrança. Bj

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  2. Fico feliz pela poesia despertar boas recordações.
    Seja bem-vinda, Tallu!
    Abraço :)

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