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Despedidas - Affonso Romano de Sant’Anna

Começo a olhar as coisas
como quem, se despedindo, se surpreende
com a singularidade
que cada coisa tem
de ser e estar.

Um beija-flor no entardecer desta montanha
a meio metro de mim, tão íntimo,
essas flores às quatro horas da tarde, tão cúmplices,
a umidade da grama na sola dos pés, as estrelas
daqui a pouco, que intimidade tenho com as estrelas
quanto mais habito a noite!

Nada mais é gratuito, tudo é ritual.
Começo a amar as coisas
com o desprendimento que só têm
os que amando tudo o que perderam já não mentem.

4 comentários:

  1. E assim devemos viver, na beleza êfemera das coisas e dos instantes, são eles que nos mostram a simplicidade da felicidade.

    Beijinhos amiga
    oa.s

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  2. É verdade... mas é difícil...

    Beijos :)

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  3. Olá, seu blog é em si, uma grande viagem, parabéns!

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  4. Obrigada, Ives! Seja sempre bem-vindo nestas "viagens".
    Abraço

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