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Epístola para os meus medos - Fiama Hassa P. Brandão


Sois: os sons roucos, a espera vã, uma perdida imagem.
O coração suspende o seu hálito e os lábios tremem
sinto-vos, vindes ao rés da terra, como ventos baixos,
poisais no peitoril. Sois muito antigos e jovens,
da infância em que por vós chorava encostada a um rosto.
Que saudade eu tenho, ó escuridão no poço,
ó rastejar de víboras nos caniços, ó vespa
que, como eu, degustaste o figo úbere.
Depois, mundo maior foi a presença e a ausência,
a alegria e as dores de outros que não eu.
E um dia, no alto da catedral de Gaudí,
chorei de horror da Queda, como os caídos anjos.

2 comentários:

  1. Conheci um outro poema, que foi musicado pela Cantora Adriana Calcanhoto "Poética do Eremita" Muito lindo também. Depois o encontrei aqui nos seus marcadores.Obras maravilhosas. Obrigada Nádia.

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  2. Adoro sua visita, seu carinho.
    Obrigada, Lourdinha.

    Boa semana!
    Bjs :)

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