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As mãos de meu pai - Mário Quintana


As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor de terra
- como são belas as tuas mãos
pelo quanto lidaram, acariciaram
ou fremiram da nobre cólera dos justos...
Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza que se
chama simplesmente vida.

E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas...
Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente, vieste
alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos
e tenta acendê-los contra o vento?

Ah! Como os fizeste arder, fulgir, com o milagre das tuas mãos!
E é, ainda, a vida que transfigura as tuas mãos nodosas...
essa chama de vida - que transcende a própria vida
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma.

2 comentários:

  1. Nádia,
    Há faróis que nunca se extinguem enquanto houver memória...
    Maravilhoso Quintana!

    Beijo :)

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  2. É verdade, AC.
    Lembranças de meu pai e o farol iluminado dentro de mim.

    Beijos :)

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