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Poemeto matinal - Abgar Renault


O ar da manhã beija a minha face.
A minha alma beija o ar leve da manhã
e olha a paisagem longínqua da cidade,
que branqueja alegremente na distância
e sorri humanamente
um sorriso branco no caiado das casas
que montam os flancos das colinas azuis
e espiam pelos olhos escancarados das janelas.

7 horas. Vai começar a função.
O despertador das sirenes fura liricamente
o silêncio doirado da manhã.
Parece que a vida acorda agora pela primeira vez
e esfrega os olhos deslumbradamente...

Meu Ford fordeja dentro da manhã
e sobe a rua velha do meu bairro,
arquejando, bufando, fumando gasolina.
Meu Ford a cabriolar nos buracos da rua descalça
é um cabrito todo preto a cabriolar, prodigioso.
O ar leve beija o radiador
e beija a minha face.
A meninice de todo o meu ser
na doirada névoa desta manhã!



2 comentários:

  1. Sensações doos cotidiano muito significativas.

    Nádia, queria a sua opinião sobre a mudança da interface dos blogs. Você acredita que somos obrigados a mudar?, Eu gosto tanto deste padrão.
    bjs.

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  2. Oi, Lourdinha!

    Também não gostei...
    Eu mudei durante um tempo, mas depois consegui voltar para o antigo e
    continuo com ele.
    Soube que logo a mudança será obrigatória (!!!).

    Ótima noite e beijos pra você.

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