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Convite - Carlos Drummond de Andrade

Vem comigo, meu amigo.

Vem até a minha casa,
que é pintada de branco,
e ri nos vidros das janelas abertas,
e no pequeno jardim
que lhe descansa em frente.

Vem ver a minha casa nova.

 Descobre-te, chegando á porta,
e olha com bondade
essas paredes limpas.

Ali, é minha mesa
de trabalho espiritual;
é ali que eu escrevo
os poemas que vou sentindo,
e as minhas cartas de amor.

E sobre essa mesa tranquila,
há um ramo de rosas frescas,
que ainda guardam nas pétalas
o sorriso úmido da manhã.

os meus poucos livros
na sua beleza humilde nos contemplam.
Olha, aqui é o leito
Dos meus sonos sem cuidado,
E ali, pequena e simples,
a mesa de jantar,

 Quando o relógio der as horas,
naquele banco nos sentaremos
para um repasto frugal,

com um pouco de vinho velho
regando uma vianda tenra,
alguns frutos maduros,
e a nossa discreta alegria
de poetas...



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