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Trem de carga - Helena Kolody


Longa serpente,

de olhos acesos,
coleava dentro da noite,
bufando fumaça,
cuspindo fagulhas.
Muita carga, pouca força!
Muita carga, pouca força!
Resfolegava a locomotiva.
Vagões oscilavam de leve,
no embalo das rodas nos trilhos.

Parava o trem
nas estaçõezinhas sonolentas.
Besouros e mariposas
dançavam na luz dos lampiões.


A locomotiva saciava a sede

na mangueira.
Chiava o vapor nos freios.
Um silvo longo
soluçava no silêncio da noite.

Lento,
o trem de carga punha-se em movimento.

As rodas tocavam batucadas nos trilhos,
pois a alegria das rodas é viajar.



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