De bico abertotodo molhadinho
de penas luzidas
cabecinha arrepiada
pobre passarinho que morreste afogado.
Já não pias
Já não cantas
Já não vês os teus olhos
no espelho das águas.
De bico aberto
Velhas pedras que pisei
Na minha rua estão cortando árvores
Dez bailarinas deslizam
As dez bailarinas avançam
Os homens gordos olham com um tédio enorme
Hoje de manhã saí muito cedo,
A menina enferma tem no seu quarto formas inúmeras
Olha-as como de muito mais longe. E com um sorriso de saudade
Prometeu soltar os pássaros,
O poema subjaz.
Poeta: uma criança em frente do papel,
Era um pássaro triste.
Um jarro de vinho entre as flores,
O olhar de Murilo Mendes abre-se às forças da origem
Abre-te terra,